Resposta direta: não existe preço de tabela para radar de condomínio, porque o projeto muda conforme o número de pontos, o modelo, o prazo e a cidade. O que dá para fazer — e é o objetivo deste guia — é comparar propostas com o mesmo escopo, para o valor significar alguma coisa.
Por que ninguém publica preço (e por que desconfiar de quem publica)
Um condomínio de 40 casas com uma alameda e outro de 600 apartamentos com quatro vias e duas garagens não compram a mesma coisa. Publicar "R$ X por mês" significaria acertar um dos dois e enganar o outro.
Quando você vê um número fechado num site, verifique o que ele cobre. Na maioria das vezes é o cenário mais barato possível — um ponto, contrato longo, capital, instalação à parte — e a proposta real chega bem diferente.
As quatro variáveis que formam o preço
1. Quantidade de pontos
É a variável de maior peso. O segundo ponto quase sempre sai proporcionalmente mais barato que o primeiro, porque a visita de instalação e a logística de manutenção são compartilhadas. Se você cogita dois pontos, cote os dois juntos — cotar um e depois voltar costuma sair mais caro.
2. Modelo do equipamento
Fixo em poste próprio, fixação em poste existente ou em parede, e móvel realocável. Muda o preço, muda a instalação e muda o que o equipamento entrega. A versão com registro de dados também não é a mesma coisa que a versão que apenas exibe.
3. Prazo de contrato
Na locação, contrato mais longo reduz a mensalidade — o fornecedor dilui a instalação em mais meses. Vale simular dois prazos e comparar o total, não só a parcela.
4. Cidade
Logística de instalação e de manutenção. Um condomínio a 300 km da base do fornecedor carrega esse custo, esteja ele explícito na proposta ou não.
Locação ou compra
| Locação | Compra | |
|---|---|---|
| Desembolso inicial | Nenhum | Integral |
| Natureza contábil | Custeio | Investimento |
| Costuma exigir assembleia | Não | Sim |
| Manutenção | Do fornecedor | Do condomínio após a garantia |
| Risco de falha | Do fornecedor | Do condomínio |
| Custo total em uso prolongado | Maior | Menor |
| Reversibilidade se errar | Alta | Baixa |
A conta do ponto de equilíbrio é simples: divida o valor de compra somado à instalação pela mensalidade da locação. O resultado é o número de meses a partir do qual comprar passa a custar menos. Depois some, do lado da compra, a manutenção estimada após a garantia — é o item que os condomínios esquecem e que costuma empurrar o equilíbrio para mais longe do que parece.
As oito perguntas que revelam o custo real
Faça exatamente estas perguntas a cada fornecedor, por escrito:
- A instalação está inclusa? É o item que mais aparece separado depois da assinatura.
- Quem paga o poste ou a estrutura de fixação? Pode representar uma diferença relevante no total.
- Manutenção e visita técnica são cobradas? Chamado avulso corrói qualquer economia de mensalidade.
- Se o equipamento falhar, quem substitui e em quanto tempo? Na locação, esse risco deveria ser do fornecedor.
- O modelo cotado registra dados? Nem toda versão registra. Se você precisa do relatório, isso muda a cotação.
- Existe taxa de ativação, deslocamento ou vistoria? Custos de entrada raramente aparecem na primeira conversa.
- Precisa de energia elétrica no ponto? Se não for solar, some o custo de puxar rede até o local — que às vezes supera o do equipamento.
- O que acontece no fim do contrato? Retirada, renovação, reajuste e opção de compra deveriam estar escritos.
Peça as respostas na proposta, não no WhatsApp. Em uma discussão futura, vale o que está no documento.
Três armadilhas comuns
A promessa de multar
Se a proposta apresentar "multa ao morador pelo CTB" como benefício, o preço é o menor dos problemas. Condomínio não tem poder de polícia de trânsito, e a multa aplicada com essa fundamentação tende a ser anulada — com o condomínio exposto. Entenda a base legal correta.
Mensalidade baixa com escopo curto
A proposta mais barata frequentemente é a que deixou instalação, estrutura e manutenção de fora. Compare escopo antes de comparar valor.
Reajuste não escrito
Contrato de dois ou três anos sem índice e periodicidade de reajuste definidos é discussão garantida no segundo ano.
Traduza para custo por unidade antes de apresentar
Esta é a diferença entre aprovar e não aprovar em assembleia. O valor cheio da mensalidade soa alto isolado; dividido pelo número de unidades, entra na ordem de grandeza de itens que ninguém questiona.
Leve o número já dividido, e ao lado dele uma despesa conhecida do condomínio para comparação. A conversa muda completamente de tom.
Veja o que forma o preço na Revlo ou peça uma proposta com locação e compra lado a lado.
